Por uma nova epistemologia do ensino de filosofia no ensino médio: mediações sobre o cotidiano em Wittgenstein e em Deleuze

  • Fábio Antonio Gabriel Rede Estadual do Paraná de Filosofia
  • Ana Lúcia Pereira Baccon UEPG
  • Mauricio Silva Alves Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Tatiane Skeika Universidade Estadual de Ponta Grossa
Palavras-chave: filosofia, Wittgenstein, Deleuze

Resumo

O presente trabalho tem como escopo a análise do cenário educacional do Brasil, com ênfase na formação do professor de filosofia do Ensino Médio. O ato de ensinar Filosofia requer um deslocamento epistemo-lógico, a saber: o exercício de reconsideração do cotidiano como categoria filosófica, isto é, a capacidade subjetiva de abertura para novas situações, novos mundos até então banidos do discurso epistemológico inerente à docência, e consequentemente deslocar os docentes do polo de suas certezas epistemológicas – que propõe a receita dogmática de percurso dos caminhos certos para uma aula de filosofia – para o polo do aluno do ensino médio que está indisponível para a filosofia. Nesta perspectiva, o discente do curso de Licenciatura em Filosofia deve ter clareza de que, na sala de aula, em seu lócus de exercício da profissão, tão só o amontoado de teorias e proposições didáticas não será suficiente para a contribuição de um aprendizado eficaz do seu futuro alunado. E também, o conhecimento pedagógico não deve separar-se do conhecimento filosófico, mas complementar um ao outro no cotidiano do professor de filosofia. O campo problemático, aberto pelo cotidiano como categoria filosófica em Wittgenstein e Deleuze, exige uma investigação que nos leva ao sentido por ele produzido. Apresenta-se, desse modo, um paradoxo: o sujeito faz uso de suas ex-periências passadas tanto para produzir quanto para organizar os acontecimentos mediante uma relação de causa e efeito que não logra conter todo o universo do cotidiano, condição necessária para uma experiência temporal adequada, isto é, uma experiência que traga para quem a exercita, uma simultaneidade de tempos para a produção de sentidos. O sentido é, dessa forma, o próprio acontecimento expresso, é o resultado do que é produzido pelo rompimento do senso comum, das proposições metafísicas, obrigando a uma nova significação do possível, ou seja, do cotidiano como acontecimento, que abre a história e a epistemologia sugando tudo para que gire em torno de si, gerando desse modo uma nova maneira de Ensinar a Filosofia.

Biografia do Autor

Fábio Antonio Gabriel, Rede Estadual do Paraná de Filosofia

Mestre e doutorando em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, professor da Rede Estadual do Paraná de Filosofia, bolsista da Fundação Araucária convênio CAPES.

Ana Lúcia Pereira Baccon, UEPG

Doutora em Ensino de Ciências e Educação Matemática pela Universidade Estadual de Londrina. Professora adjunta do Departamento de Matemática e Estatística e no Programa de Mestrado e Doutorado em Educação na UEPG. Bolsista da CAPES - Brasil.

Mauricio Silva Alves, Universidade Estadual de Feira de Santana

Mestre em Filosofia pela PUC-PR e Professor Substituto de Filosofia e Ensino na Universidade Estadual de Feira de Santana- UEFS-BA.

Tatiane Skeika, Universidade Estadual de Ponta Grossa

Doutoranda em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, Professora da rede Estadual do Paraná, bolsista CAPES.

Referências

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Publicado
31-12-2017
Seção
Artigos