Docência nas fronteiras: quilombo, raça e gênero

  • Shirley Aparecida Miranda UFMG
  • Jairza Fernandes Rocha da Silva

Resumo

Os quilombos no Brasil consistem no mais evidente mecanismo de enfrentamento ao sistema escravista, emblema da resistência coletiva que constitui a diáspora africana. Em 2012 foram publicadas as diretrizes curriculares nacionais para a educação escolar quilombola. As recomendações e desafios dessa modalidade de educação dirigem-se às professoras. Poderíamos falar então em uma docência quilombola? Esse artigo discute essa indagação a partir das narrativas de quatro professoras que se reconhecem quilombolas, se autodeclaram negras e atuam em escolas situadas nos territórios onde vivem. Seguimos nas trilhas das narrativas para evidenciar quem são e como se formaram docentes quilombolas e que deslocamentos produzem para a relação entre gênero e docência. O artigo está organizado em cinco tópicos. Após a introdução, discutimos os percalços da formação docente das professoras entrevistadas. No terceiro tópico refletimos sobre a relação gênero e raça e as desestabilizações que propõem a uma análise da profissão docente. No tópico seguinte, situamos as fronteiras em que constroem a docência quilombola e palavras finais

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Publicado
28-07-2020
Como Citar
MIRANDA, S. A.; ROCHA DA SILVA, J. F. Docência nas fronteiras: quilombo, raça e gênero. Formação Docente – Revista Brasileira de Pesquisa sobre Formação de Professores, v. 12, n. 24, p. 39-52, 28 jul. 2020.