Pedagogizar corpos e conformar subjetividades: O sintagma ideologia de gênero como exercício colonizador da educação

  • Carlos Magno Camargos Mendonça UFMG
  • Felipe Viero Kolinski Machado Mendonça UFOP
Palavras-chave: Ideología de género; Educación; Masculinidades

Resumo

No intuito de ponderar sobre a primordialidade da existência dos conteúdos que abordam questões de gênero, de educação sexual e de sexualidade nos currículos escolares e na formação docente inicial e continuada, este artigo indaga como a implementação da agenda de combate ao gênero, proposta por setores conservadores, referenda uma pauta de exclusões e violências. Supomos que extinguir tais temas dos currículos escolares e das políticas de formação docente busca perpetuar atos de dominação e opressão masculina, além de reduzir a capacidade crítica de docentes e discentes.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Carlos Magno Camargos Mendonça, UFMG

Professor Associado do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais/DCS/UFMG-, professor permanente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG. Graduado em Comunicação Social - Jornalismo - pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais ? PUCMG - (1992), mestre em Comunicação Social pela UFMG (1999) e doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP - (2007). Pós-doutorado realizado na Universidad Complutense de Madrid ? UCM-, Espanha (2011/2012). Desenvolve pesquisas com foco na relação entre comunicação e estudos de gênero, performance, corpo, homossexualidade masculina e propaganda, com financiamentos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). É um dos líderes de pesquisa do Núcleo de Estudos em Estéticas do Performático e Experiência Comunicacional - NEEPEC. Para além de artigos em periódicos, capítulos de livros e livros organizados, no Brasil e no exterior, é autor do livro E o verbo se fez homem. Corpo e Mídia (2013). Membro da equipe de pesquisadores do projeto de cooperação internacional UFMG/Universidad Complutense de Madrid (Espanha).

Referências

BIROLI, Flávia. Gênero e desigualdades. Limites da democracia no Brasil. São Paulo: Editora Boitempo, 2018.
BUTLER, Judith. Corpos que importam: os limites discursivos do “sexo”. São Paulo: n-1, 2019.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. São Paulo: Editora Record, 2012.
CONNELL, Raewyn; PEARSE, Rebecca. Gênero: uma perspectiva global. São Paulo: Versos, 2015.
CONNELL, Raewyn. Gênero em termos reais. São Paulo: nVersos, 2016.
FELIX, Jeane. Gênero e formação docente: reflexões de uma professora. ESPAÇO DO CURRÍCULO, v.8, n.2. Maio a Agosto de 2015. p. 223-231.
JUNQUEIRA, Rogério Diniz. A invenção da "ideologia de gênero": a emergência de um cenário político-discursivo e a elaboração de uma retórica reacionária antigênero. Rev. psicol. polít. [online]. 2018, vol.18, n.43, pp. 449-502.
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação. Petrópolis: vozes, 1997.
LOURO, Guacira Lopes. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2008.
MOORE, Henrietta. Compreendendo sexo e gênero. Companion Encyclopedia of Anthropology. London: Routledge, 1997.
PRECIADO, Beatriz. Manifesto contrassexual; tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro. São Paulo: n-1 edições, 2014.
RICH, Adrienne. Heterossexualidade compulsória e existência lésbica. Bagoas Estudos gays: gêneros e sexualidades, v. 4, n. 05, p. 17-44, 2010.
SILVA, Ieda Prates da. Para ser um guri: espaço e representação da masculinidade na escola. Estilos da Clínica, v. 9, n. 17, p. 70-83, 2004.
VALE DE ALMEIDA, Miguel. Gênero, masculinidade e poder: revendo um caso do sul de Portugal. In: Anuário Antropológico, p. 161-190, 1995.
WITTIG, Monique. El pensamiento heterosexual y otros ensayos, Egales, Barcelona, 2010.
Publicado
07-08-2020
Como Citar
CAMARGOS MENDONÇA, C. M.; VIERO KOLINSKI MACHADO MENDONÇA, F. Pedagogizar corpos e conformar subjetividades: O sintagma ideologia de gênero como exercício colonizador da educação. Formação Docente – Revista Brasileira de Pesquisa sobre Formação de Professores, v. 12, n. 24, p. 91-104, 7 ago. 2020.